20.3.06

Peça: 00 A Poeira Sobre Estas Peças

A poeira sobre estas peças é a pedra da fundamental deste breve museu. Ela está sobre tudo mesmo antes de seu primeiro piso, de meus primeiros alumbramentos. A poeira deste museu é anterior à matéria de que são constituídas estas peças. Anterior ainda ao tempo, a Deus, quem sabe.

Desde minha primeira manhã por estas bandas, percebo que o tempo é imenso e que sua ausência é ainda maior e mais profunda. Uma terra em que os dias não se medem pelos calendários, em que cada um decide o dia em que está e, por isso, todo dia é sempre o mesmo e sempre outro.

O coração dos relógios está parado nestas terras. Não de hoje. De antes. Muito antes. Os galos que anunciam as manhãs cantam ainda indistintamente sem saberem ao menos que dia anunciam: lembram malmente os acordes de suas cornetas matinais. Cantam por hábito, mais que por ofício.

Por isso tanta poeira sobre estas peças. Tanta poeira sobre os relógios. Tanta poeira sobre estas terras.

44 comentários:

Anônimo disse...

Parece que percebi um desejo de renovação? Uma viagem nos planos? Beijo pra você, Theo.

Anônimo disse...

Esqueci de assinar, mas não quero ficar anônima não, viu? :) Adelaide

Theo G. Alves disse...

Adelaide, caríssima,
há sempre desejo de renovação em gente inquieta como este teu amigo... sempre... sou ruim pra fazer planos, a ansiedade me desmonta, mas estou tentando... :)
beijo bem grande!

Francisco Sobreira disse...

Theo: Mais um bonito texto, com aquele lirismo e escrita tão deliciosos. Um abraço.

Marilena disse...

B e l í s s i m o !!
Um deslumbramento cada palavra sua. Espreito-as delicadamente, em silêncio, sem deixar quebrar nenhuma, sem deixar, nem mesmo, que saiam as poeiras de cima delas. Obrigada. Um beijo.

Mutatis Mutante disse...

Até que enfim aparecestes de novo , ô sumido! E esse texto foi uma resposta às minhas provocações?

Um abraço!

_Maga disse...

Estava com saudades de tuas empoeiradas palavras... Onde eu moro os galos esqueceram os acordes de suas cornetas matinais... e há muito o sono é rompido pelos nada agradaveis apitos mecanicos dos relógios... essa vida digital me mta... as vezes preciso de um refugio empoeirado... obrigada por mante-lo aqui... :*...

marcos pardim disse...

neste museu, as poeiras não sujam nem mostram a necessidade do pano ou do espanador. antes, dão brilho, lustram, chegam até a reluzir as suas palavras. tão talentosas!!! tamo aqui, velho. 1 grande abraço

Glória disse...

Oi Theo! Belíssimo texto, contendo poeira, tempo, vida, morte, manhãs, galos...e uma infinidade de coisas das quais se constitue a essência da vida deste e de outros museus. Como sempre a tua escrita nos deslumbra e nos assombra pelo ineditismo de que é constituída. Parabéns sempre!!!!!!!!!!!
Beijo enooooooooorme daqui da serra...

Edilson Pantoja disse...

A própria poeira cósmica de que o mundo se fez?
Abraços de Belém!

Theo G. Alves disse...

sobreira, meu caro,
agradeço imensamente a gentileza de suas palavras!
um grande abraço!!

marilena,
fico sem saber o que dizer diante de seus comentários sempre generosíssimos... por isso agradeço apenas...
um enorme beijo!

Mut, meu velho,
jamais me senti provocado... em verdade, desde antes de pensar neste museu já concebia mesmo a poeira de suas peças, tanto que é parte do texto de apresentação do blogue...
amigos como você nunca fazem rpovocações, fazem sim convites velados... :)
um grande abraço!

marcela querida,
a vida digital é quase sempre uma vitória sangrenta... sou demasiado urbano, eu sei, e como tal não aceito de bom grado a aridez deste universo. Há aquela dramartuga paulista que diz "a vida é segunda-feira": como duvidar? aqui os galos ainda cantam, ainda que não percebam mais o porquê.
um enorme beijo e obrigadíssimo por seu comentário tão generoso!

marcos, meu velho,
neste museu se aplica o conceito gideano de que "a beleza esteja em teu olhar e não no que é olhado", por isso tanto brilho...
muito obrigado, meu amigo, muito obrigado. e um grande abraço!!

glorinha,
vc é sempre muito generosa no que diz a respeito das mal traçadas/mal tratadas linhas deste teu amigo...
eu envaidecido agradeço profundamente!
beijo enorme deste coração seridoense


edilson,
a mesma poeira de que tudo está constituido... talvez o principio mesmo do barro de adão, do pó ao pó... há sempre interrogações...
ótimo vê-lo por aqui!
um grande abraço!!

Madame disse...

Estou com poeira do peito do pé até os ossos do ofício...beijos de mim

Valéria disse...

as poeiras carregam um pouco de cada lugar... e mesmo quando as sacudimos... um pouco delas permanecem...
um beijo

alice disse...

boa tarde ;)

venho agradecer as suas palavras no blog de marcos pardim sobre um post que ele publicou do meu blog

gostei imenso de conhecer o seu canto além mar e adorava recebê-lo em minha casa

um beijinho, alice

Márcia disse...

a poeira aqui não turva, reluz.
beijo grande, Theo.

Claudinha disse...

Por isso tanta vontade de voltar aqui e ler suas palavras. Mesmo com toda a poeira do tempo , das estradas, eu guardei o centenário e aguardei. Um dia, você voltou, sem nem imaginar que havia marcado para sempre, com sua maneira de escrever, esta doidinha aqui... O tempo é nosso feitor, e somos escravos das palavras. Mas a nossa liberdade vem quando nos damos conta que tuido tem a sua hora. Beijão!

Marco Santos disse...

Por mim, guardaria a poeira do seu museu em frascos e os exibiria em minha cristaleira de emoções.
Muito excelente, Théo. Cheguei a ouvir o galo cantar.
Um abração!

Theo G. Alves disse...

madame,
a poeira aqui cobre tudo, invariavelmente...
beijos de mim que sou eu :)

valéria,
esta cidade, este museu, eu até somos toda essa poeira inevitável... você tem toda razão: este pó está sobre nós, em nós... pergunte, pergunte ao pó :)
beijo!!

alice,
minhas palavras foram minhas sensações, como costumam ser. vê-las ainda na casa do Marcos torna um texto ainda melhor... seu poema era mesmo belíssimo.
fico feliz que tenhas gostado deste breve museu empoeirado. eu voltarei a tua casa certamente, espero que voltes também aqui.
outro beijinho

márcia querida,
o que melhora a luz deste museu escuro é tua generosidade.
um beijo ainda maior!

claudinha,
a fidelidade de tuas leituras me contentam muitíssimo. sua assiuidade neste museu (que certamente não é merecedor de leitora tão constante) sempre me encanta e me apraz.
eu agradeço veementemente!
um beijão!

marco, meu caro,
tua cristaleira tem certamente peças muito mais brilhantes e brilhosas. tuas prateleiras estão certamente repletas de toda a beleza.
muito obrigado pela gentileza.
quanto aos galos, eles ainda cantam aqui. diariamente. sempre. quando.
um enorme abraço!!

célia musilli disse...

sempre que posso, sopro a poeira deste museu e encontro peças escandalosamente belas.. um beijo

Theo G. Alves disse...

célia,
eu me repito: é que a beleza está em teu olhar...
beijo grande!

alice disse...

querido theo,

estou de volta para te desejar um bom fim de semana e deixar-te um beijinho...

obrigada pelas tuas palavras aqui na caixa de correio ;)

se me permites, vou linkar-te

fica bem,

alice

Dona Estultícia disse...

Tanta poeira sobre estas vistas... Bom como sempre Théo. Bjos.

Theo G. Alves disse...

alice,
sou eu quem te agradece pela volta, pelas palavras e pelo desejo de bom fim de semana.
que estes dias sejam otimos a todos nós, que bem o merecemos.
ter este museu vinculado a tua casa seria um honra.
agradeço.
beijo!


Dona Estultícia,
generosa como sempre...
beijo grande!

carla disse...

Eu sou ótima em fazer planos, mas péssima em cumpri-los!

Um grande abraço Theo

Theo G. Alves disse...

carla,
acho que vou mal em ambos: planejamento e execução... :)
um abraço!!

Marco Santos disse...

É um luxo receber respostas como as que você nos brinda. Um forte abraço.

Theo G. Alves disse...

marco, meu caro,
o verdadeiro luxo está em ter leitores cujos comentários são sempre tão agradáveis e generosos...

outro grande abraço!!

Paulinho Patriota disse...

Tua poeira se faz lustrosa sem que precise removê-la.

Abraço.

Milton disse...

Há pó também por estas terras daqui. Não sei se ele está aqui desde antes de ser invantado Deus, sei que agora cobre tudo, grudam em meus dedos.

camilo disse...

Por falar em poeira, que vc não suma na das ruas de Currais. Aliás, acho que tem chovido por aí, não?
Sempre elaborados com arte seus textos...
abraços meus.
camilo

fernando cals disse...

Oi, Théo,
Entre o sentimento de culpa por faltar tanto tempo sem visitar o Museu, e o contentamento por encontrar tantas coisa lindas, meu coração balança.
Os "ecritos", sempre lindos e as fotos, ou ilustrações à propósito.
Usso aqui, é muito bom!
E o meu coração, continua balançando.
Abração
fernando cals

Theo G. Alves disse...

Paulinho,
a poeira melhora isto aqui porque permite ver menos :)
obrigado! um abraço!!


milton,
estou sob estes escombros de pó. já nem sei quanto tempo faz. o tempo é coisa que a gente esquece ao longo dele...
um grande abraço, meu amigo!!!


fernando,
meu ilustre visitante e amigo, não deve haver culpa. sua estadia por aqui é smepre motivo de honra e quando vc aparece sinto o museu melhorado. entendo a correria dos dias e imagino o quantos lugares há p se visitar.
o que importa, meu caro, é que este museu está sempre aberto e quando vc desejar, haverá sempre esta miúda beleza que sua leitura engrandece.
suas palavras são de uma gentileza infinita, assim como minha gratidao.
sou eu quem está a balançar agora...
um grande abraço!!

Theo G. Alves disse...

camilo,
meu sumido amigo,
não há como sumir destas ruas currais-novenses: elas vão se impregnando sobre nós, até dentro de nós e já não há mais saida, mesmo quando se vai longe ainda. é um caminho dificil e estranho o destas ruas.
quanto a chuva, tem chovido sim, mesmo quando não chove. choveu um ou dois dias de verdade, nos outros é aquela sensação de que o tempo está preparado e diante do menor chuvisco cremos estar diante de chuva...

me lembro, a proposito, de quando era mais menino ouvir as moças do tempo (que nem eram tao bonitas como hj) dizerem: "no nordeste amanhã fará tempo bom", eu ficava pensando que ia chover. pra mim tempo bom é isso...

ah, nadezas... bobices...

ótimo ve-lo de volta, meu caro!!
um grande abraço!!!

pedro pan disse...

, e em o caminha deparamos com poeiras, pode inté alucinar. em o museu o tempo é seu, é meu. esperemos o galo e seu co-co-ri-cor. ele deve saber de cor.
|abraços meus|

Glória disse...

Theo querido, gosto tanto de te ouvir (nesse caso de te ler)que sempre volto aqui p/ conferir as tuas palavras, os teus escritos/respostas aos amigos visitantes deste maravilhoso Museu de Tudo e de todos, morrendo de saudade de tbm te ver... Abraço grande!!!!!!!
PS: Já começaram os preparativos p/ o IV Festival de Inverno daqui de Cerro Corá, espero que neste apareças!!!!!!!!!! Beijos...

CeciLia disse...

O coração dos relógios pára os ponteiros dos poetas, quando te lêem. Eles sabem a poeira que esconde as palavras. (Esconde? Ou revela?) Se sabem...

Mais uma peça linda, das tuas.

Parabéns e abraço

Vássia Silveira disse...

Theo, já nem sei como cheguei aqui, mas toda essa "poeira" e todo esse silêncio fizeram-me sentir mais viva. Parabéns por suas peças.

Theo G. Alves disse...

pedro pan,
oxalá ele verdadeiramente ainda se lembre.
grande abraço!!


glorinha,
o museu fica sempre mais bonito com a presença generosa dos amigos, como você...
quanto a saudade, é mútua, é recíproca. apareça por aqui nestas bandas currais-novenses também...
este ano queria mesmo ir ao festival. possivelmente irei. sempre tenho desejado ir e perdido. quem sabe esta nao é a hora?!
:)
beijo bem grande!!!


cecilia,
mais uma generosidade imensa sua. quanto aos relógios, posso te dizer que os meus estão quietos há anos.
obrigado! um grande abraço!!


vássia,
mais importante que por onde vieste é como chegaste. uma boa visita chega sempre em boa hora. espero que gostes e que apareças mais por esta humilde casa.
agradeço!!
um abraço!!

Anônimo disse...

Uau! Li apenas um, mas estou fascinada. Eu sabia que eras inteligente, mas estou realmente encantada. São textos muitissimos preciosos, disso tenho certeza! Bjos theo.

Theo G. Alves disse...

marília,
preciosa é você, que além de tão delicada é sempre tão generosa...
beijo, sweetie!
nos vemos na segunda...

Moacy disse...

Theo, meu caro: Um belíssimo texto. O tempo, a poeira, a palavra, a terra, a nossa terra: memória viva que se constrói a partir de sua escrita. Parabéns. E um abraço.

Theo G. Alves disse...

moacy,
as memorias parecem ter estado presentes aqui, como no balaio...
deve ser o tempo, essa a aproximação/expectativa de chuva.
seridoense sabe o que é isso...

um grande abraço!!

Marco Santos disse...

Vim cheio de esperança para ler mais alguma pérola do seu museu. Imagino que você ande ocupado, não é?

Theo G. Alves disse...

marco, meu caro,
tens toda razão: ando ocupado, ocupadíssimo!!! não tem sido tranquilo ganhar a vida nestes ultimos meses... mas tem sido um trabalho que gosto muito e me deixa contente... ter mais tempo livre parece q seria pedir muito mais do que é possivel...
mas daqui para o fim de semana tem peça nova: um breve texto, muito miudo mesmo, que escrevi dia desses, qndo pensava em Herzog...

abraço!!!