6.1.15

três poemas novos

teu nome

sob as mantas brancas
de ruído
da cidade
ninguém chama teu
nome:

repete-o
mil vezes ou mais por
medo
de esquecê-lo.

apertas as
mãos
de outros fantasmas

pronuncias os
nomes
de outras mulheres

pela vã
esperança de que teu
nome
adoecido caiba em
suas bocas.

mas a cidade
não permite que reverbere
teu nome:
teu
nome.

a
solidão
coletiva e impronunciável
ocupa
as salas de cinema os bancos da praça cristo rei
as mesas de restaurantes as camas as ruas os carros
as calçadas as avenidas incalculáveis e a praia de copacabana
as vitrines os ombros dos mendigos
e as tigelas de sopa
em toda cidade:

que não permite ainda
que ouças ou ainda
que chamem

teu
nome.


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dos olhos

como um
doente
que se crê mais
saudável
ao negar seu
câncer

como um
filho
que se parece mais
ao pai
quanto mais o
nega

dou um
número a cada
dia

e menos
vejo, um tanto
mais
enxergo.


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o relógio, a bolandeira

o
giro
da bolandeira marca
as horas de
um relógio
indistinto
exangue.

a
vida:
o giro da bolandeira é
uma sucessão de
segundas-feiras
indistintas
diária.

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