4.1.15

Half The City, de St. Paul & The Broken Bones

A primeira vez em que ouvi St. Paul & The Broken Bones foi também a primeira vez em que os vi tocar. Era um programa da Rádio KEXP, divulgado também pelo canal da rádio no YouTube. Por alguns segundos, foi difícil sincronizar o que eu via e ouvia: os estereótipos tão bem construídos da black music em minha cabeça jogados ao chão. Um rapaz loiro, com cara de atendente de crediário, óculos de nerd, mas uma voz negra saída diretamente dos anos 70, que fazia lembrar de James Brown a Gerson King Combo.

A banda fazia um pocket show de lançamento de seu disco Half the City. E os fones de ouvido foram ficando pequenos demais para uma música tão voluptuosa e cheia de vibrações. Sentia que estava diante de uma grande banda e um disco fabuloso.

Depois, ao ouvir Half the City (disco de estreia da banda do Alabama) faixa por faixa, tinha a certeza de que pouca coisa que se fizesse este ano seria melhor que esse disco. As batidas de soul e r&b que preenchem as doze músicas do álbum não são inovadores, porém são reconfortantes: música para se ouvir e viver: suingue, ritmo, linhas de baixo guturais e metais muito melódicos liderados pela voz profunda, viva, vibrante e orgânica de Paul Janeway.

Seja pela perfeição dançante de Call Me ou I’m Torn Up, seja pela delicadeza de baladas antológicas como Broken Bones & Pocket Change, Half the City é um disco irretocável: a influência da música negra dos anos 1970 está lá, o alcance inacreditável da voz de Janeway está lá, os arranjos de levadas que fariam Steve Wonder aplaudir também estão lá. Está tudo lá, num disco conciso, preciso e que não sobra nem falta.

Ouça e diga se estou mentindo.

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