13.12.12

Meus Discos Favoritos de 2012


Certamente ouvi menos música em 2012 que no ano passado, mas não posso abandonar a irresponsabilidade de fazer a minha listinha de Meus Discos Favoritos de 2012. O ano foi bom, embora ache a lista do ano passado um tantinho superior a esta, o que atribuo muito mais à minha ignorância e pouco conhecimento musical do que à qualidade do que foi produzido. Fato é que música boa não falta e não há mais porque jogar na famigerada mídia a culpa pela música ruim. Entre os gritos irritantes da incensada Gaby Amarantos e ojeriza repetição de Roberto Carlos, há muita coisa boa por aí:


1. 1. Bahia Fantástica – Rodrigo Campos: é certamente o disco mais intrigante que ouvi este ano. Há nele algo de atávico, uma reminiscência de terra, de origem que não consigo desvendar ao certo. Bahia Fantástica é, para mim, o melhor do ano por motivos que não podem ser explicados logicamente, ou mesmo de qualquer outra forma. Por isso, motivo mais que justo, merece claramente o título de Meu Disco Favorito de 2012. Bahia Fantástica me fala ao corpo, ao espírito muito mais que à razão. É um disco sensorial e que me provoca sempre que o ouço. Destaque para Ribeirão, com participação de Criolo.


2.2. .Avante – Siba: Siba não é um instrumentista por natureza, é um músico, um compositor e isso faz toda a diferença em seu mais novo disco. Siba, conhecido por seus trabalhos com Mestre Ambrósio e A Fuloresta, substitui a tradicional rabeca pela guitarra, no entanto não se deixa cair nas armadilhas da comodidade: a simbiose entre Siba e suas seis cordas elétricas não difere da ocorrida com sua rabeca: é o compositor, o homem urbano que conhece a floresta que está lá. Avante traz as letras habitualmente poéticas de Siba e uma nova sonoridade para a guitarra. Se esta não fosse uma lista que prima, sobretudo, pelo gosto pessoal, seria de Avante o primeiro lugar. Preparando o Salto abre o disco e é praticamente um editorial do que virá adiante.


33.  EP – Violante: é certamente o disco que mais ouvi este ano. Um desses discos que viram xodó e aos quais sempre recorremos quando queremos ouvir o que nos dê intimidade com a música: um disco para ouvir “no clima”. Os violões e guitarras destes piauienses nos dão a sensação de colher ainda no pé uma música que já está madura. A qualidade poética das letras e a voz bonita dos cantores nos oferecem um disco sem grandes novidades, mas de extrema qualidade. Poético e carnal, trata-se de um disco para ouvir muitas vezes. Obra do Cão e Ventre são minhas favoritas.


44. Dois Tempos – Khrystal: este é o disco que confirma o que se esperava de Khrystal: uma cantora para revigorar as vozes da música brasileira. No entanto, o disco é mais que isso: Dois Tempos revela também uma que Khrystal pode transitar pela música que quiser sem estar escravizada às releituras do coco que a fizeram aparecer. Khrystal faz música, independente de ser samba, rock, mpb ou o nome que quiserem dar. Dois Tempos é um disco de música boa. Melhor: de música ótima. Sua parceria com Luiz Gadelha rendeu a deliciosa Bem ou Mal.


55. O Deus Que Devasta Mas Também Cura - Lucas Santtana: músicos como o Lucas Santtana trazem sempre grandes e ótimas surpresas. Depois de seu belíssimo Sem Nostalgia, de 2009, Lucas nos presenteia com um disco de sonoridade um tanto sombria, boas letras e um clima denso frequentemente quebrado por curiosos riffs de guitarra e músicas mais aceleradas, como promete seu título. Um disco para ouvir muitas e muitas vezes, cantar alto, refletir, dançar e qualquer coisa mais que se queira fazer. É Sempre Bom Se Lembrar é minha preferida: “O amor/ no começo é um alvoroço/ Qualquer momento é um colosso/ Nem o tempo cogita em agir/ o amor no decorrer fica confuso/ muitas vezes, difuso/ e o tempo ralenta e nos diz/ que é sempre bom se lembrar/ da uva até o vinho/ o amor que ali todo dia…”

Menções Honrosas

Estação Sé - Caê Rolfsen
Trabalhos Carnívoros - Gui Amabis
Tatá Aeroplano - Tatá Aeroplano
A Mágica Deriva dos Elefantes - Supercordas
Edifício Bambi - Hidrocor

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