16.3.12

Jovens Adultos: a agonia de não ter lugar


Ao assistir a Jovens Adultos (Young Adult) é difícil não criar expectativas de encontrar na tela um novo Juno, pois os dois têm em comum o diretor e o roteirista, Jason Reitman e Diablo Cody, respectivamente. Juno desperta alguma empatia por seus personagens deslocados, desorientados e um tanto perdidos num mundo complicado e de consequências duras para atos inconsequentes. A mistura de tons nerd e looser criam simpatia por seus anti-heróis, embalados por uma trilha sonora empolgante e que carrega bem o espírito do filme.
Mas Jovens Adultos não é Juno e ninguém deve ficar escravo sempiterno de uma mesma obra. A história trata de um momento na conturbada vida da autora da série Jovens Adultos, Marvis Gary – interpretada pela linda e cada vez mais talentosa Charlize Teron –, que teve enorme sucesso com o público jovem, mas se encontra em decadência no momento de seu último episódio.
Saída de um casamento fracassado e sufocada por uma vida vazia, Mavis resolve retornar à sua pequena cidade natal para reencontrar seu antigo namorado da época de escola. Ele, agora casado e pai, parece perfeitamente adaptado à vida rejeitada anteriormente por Mavis.
Nessa viagem de volta, essa anti-heroína contesta valores morais e põe em destaque o fracasso de suas relações familiares e seu egoísmo, disposta a interferir na vida de seu ex-namorado e a família que ele está construindo. Mavis entra em combate direto e constante com seus antigos colegas de escola, para os quais ela foi sempre algoz, vitimando-os com seu desprezo e ar de superioridade. Em verdade, ela é a adolescente bonita e popular que todos desejavam ser, mas que já não encontra lugar no mundo dos adultos.
Mavis reúne em seu personagem aspectos interessantes sobre o momento em que vivemos: a menina que se encontrava no topo da hierarquia de seu microcosmos social está deslocada, sem rumo, vítima de sua própria personalidade devoradora. Sua mesquinhez e ar de superioridade tentam esconder – sem sucesso – uma alma atormentada pela superficialidade e vazio do mundo ao seu redor que é, aliás, também seu universo interior. Os livros que escreve não carregam seu nome, já que a ideia original de Jovens Adultos é de outra pessoa. Sua beleza estonteante já beira à decadência e sofre, não sendo suficiente para sustentar uma posição otimista diante da vida. Sua solidão é massacrante e seu cachorro, constantemente relegado e símbolo de futilidade, garantem mais peso e desespero a esse sentimento de desencontro.
O enredo traz um interessante duelo entre Mavis e Matt Freehauf, antigo colega de escola – interpretado por PattonOswalt– de quem ela só é capaz de lembrar por conta de um fatídico e humilhante incidente: o time de futebol destruiu sua perna e genitália por acharem que o jovem era gay e não o aceitarem por isso. Vale ressaltar que este é mais um símbolo da mensagem de Reitman e Cody de que os populares tão idolatrados em outros tempos e infinitamente retratados nos produtos culturais americanos são, na verdade, elementos negativos, daninhos. Freehaufcaminha com a ajuda de uma muleta, exatamente como Mavis: a diferença é que para o primeiro o apoio é real, enquanto para ela a muleta é a expectativa de que a retomada de seu antigo relacionamento a trará de volta à vida. Ambos claudicam, cada um a seu modo.
O personagem de Charlize Teron tenta dizer a seus espectadores que se deve fazer tudo o que se deseja, que é preciso tomar para si aquilo que se quer, custe o que custar. Por isso mesmo, diferentemente dos personagens de Juno, Mavis Gary não provoca a empatia de seus espectadores, o que é claramente um objetivo dos realizadores do filme. Essa ausência de empatia leva o público a uma mistura de compaixão e desprezo pelo personagem principal. Neste momento em que o estilo de vida dos que não se adaptam ao mainstream da vida social parece estar em alta – Harry Potter e Glee não nos permitem duvidar –a mensagem é de que aqueles vistos como populares durante a adolescência são sujeitos que não acharam na vida um espaço que lhes compreenda: reis de um universo efêmero, caem por terra diante de um mundo que não se importa com quem são, mas apenas ressalta suas deformações e agora se encontra com o cabo do chicote às mãos. Talvez seja esse, aliás, o maior pecado de todo o enredo: crer que um lado é mais feliz que o outro, quando na verdade trata-se de perceber quem é incapaz ou não de conviver com sua própria infelicidade.

Nenhum comentário: