25.2.12

A Invenção de Hugo Cabret: Homenagem ao Cinema de Méliès


Todas as formas de arte se voltam, vez em quando, à metalinguagem: é muito comum ver poetas escreverem sobre o processo criativo da poesia, músicos comporem sobre a criação musical e o cinema, frequentemente, produzir filmes sobre si mesmo, sobre as paixões que provoca, sobre seu encantamento. Aliás, é esse um dos motes essenciais do belo A Invenção de Hugo Cabret, dirigido pelo veterano Martin Scorsese.

Entre tantas obras cinematográficas que homenageiam o próprio cinema, este filme de Scorsese parece não se perder por completo, e ainda que não seja a mais bela declaração de amor à sétima arte, é certamente um respeitoso beijo na testa de George Méliès e sua filmografia, especialmente com o que ambos tornaram possível ao cinema que se seguiu.

A trama conta a história do jovem órfão Hugo Cabret, que cuida dos relógios na estação de trem em Paris, deixado lá por seu tio, um bêbado incorrigível que usou o menino para fazer seu trabalho. O sentimento que Hugo nutre por seu pai é o que o move em sua missão no mundo: “consertar tudo”. Hugo tenta reparar um autômato deixado sem conserto por seu pai, sem saber que a peça seria o elo para o re-encontro de várias histórias e personagens.

Ao encontrar George, o velho dono de uma loja de brinquedos na estação de trens, o pequeno Hugo põe-se a descobrir, ao lado da aventureira afilhada de George, uma série de fatos curiosos acerca do passado de seu novo conhecido. Entre fugas espetaculares e momentos poéticos, o menino consegue revirar o passado daqueles que passaram a rodeá-lo inesperadamente. A partir disso, a história se encaminha como uma grande homenagem ao cinema, especialmente através da figura de Méliès – que, ao contrário dos irmãos Lumiére, mais preocupados em registrar na sua invenção cenas do cotidiano de seus espectadores, dedicou-se a uma filmografia de sonhos, buscando realizar histórias espetaculares e sem ligações necessárias com a realidade diária.

É óbvio que um filme sobre um garoto que adora cinema e vê como sua principal referência um velho nos remete diretamente ao belíssimo Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, lançado em 1988 e tido como uma das mais generosas homenagens à história do cinema. Assim como em A Invenção de Hugo Cabret, Cinema Paradiso conta a trajetória de um jovem apaixonado pelo cinema e que tem no projecionista Alfredo – interpretado pelo brilhante Philippe Noiret – uma espécie de mentor, quase um pai.

Mas se Cinema Paradiso é mais carinhoso com o cinema do que A Invenção de Hugo Cabret, também vale mencionar que sua narrativa é mais interessante, contada em flashback e com um texto de altíssimo valor poético. Aliás, talvez seja essa falta de poesia nos diálogos que diminua o impacto emocional do filme de Scorsese. Embora os primeiros minutos de sua película quase não se utilizem do diálogo, todo o resto do filme o faz, mas em nenhum momento esses diálogos são suficientemente marcantes.

No entanto, preciso lembrar a mim mesmo que Scorsese não está fazendo um remake de Tornatore. Seu filme busca, é preciso ressaltar, fugir das armadilhas comparativas ao tentar manter o foco da narrativa na busca de Hugo por uma mensagem de seu pai, o que faz bem e de forma emocionante em alguns momentos, especialmente com Bem Kingsley em cena, já que o garoto Asa Butterfield, no papel de Hugo, não consegue ir muito além do que o papel lhe oferece, por isso não brilha. Como Méliès, o experiente Kingsley rouba cenas que parecem naturalmente suas: o tom poético e doloroso de suas expressões dá a seu personagem um ar humano interessantíssimo, tornando-o assim o tendão que liga Hugo e seu pai ao cinema. Méliès merecia a homenagem e Scorsese conseguiu fazê-la bem.

19.2.12

O espelho satírico do mundo: uma leitura de Quadrinhos dos Anos 10, de André Dahmer



Uma das maiores dificuldades encontradas pelas gerações mais recentes é, sem dúvida, a capacidade de autocrítica: analisar suas características de forma crítica e mais aprofundada, compreender suas falhas mais pungentes, perceber-se, avaliar-se são exercícios cada vez mais diminutos na transição de gerações.

Esta geração da imagem, da interatividade nas redes sociais, da pós-consciência ecológica e dos novos papeis sociais parece ser também a geração da futilidade online, da inconsistência dos discursos, da inanição das relações sociais têtê-à-tête  e da dificuldade de ponderar causas e efeitos de suas atitudes.

É nesse cenário que surge um dos críticos mais contundentes desse momento de quebra paradigmática em que nos encontramos, e seu trabalho estabelece uma leitura precisa, irônica e afiada de nossos comportamentos, mas não através de volumosos compêndios filosóficos ou sociológicos: André Dahmer estabelece sua crítica ao modelo social em que vivemos a partir de suas tirinhas e charges publicadas também em jornais e revistas, mas, sobretudo, na internet.

Não surpreende, inclusive, que a ferrenha crítica de Dahmer encontre seu veículo mais eficaz na rede de computadores, já que essa mesma rede é um dos principais agentes modificadores do comportamento social das últimas gerações. Parte significativa dessas mudanças está relacionada diretamente às transformações da internet, à velocidade de acesso, conteúdo e níveis de interação.

A série de tirinhas “Quadrinhos dos Anos 10”, publicada por Dahmer quase diariamente em sua página www.malvados.com.br, traz ácidas situações que põem em xeque nossos comportamentos transformados mais marcantes. Elementos como as relações sociais, o trabalho, questões existenciais, televisão, internet, família e política aparecem constantemente como matéria de seu trabalho como desenhista. Justamente esse olhar para o mundo em que nos encontramos e carente de autocrítica faz com que Dahmer possa ser apontado como um dos principais cronistas do caos que compartilhamos, afinal, se é papel do cronista contar e refletir as histórias de seu tempo, poucos fazem isso tão bem quanto esse jovem artista carioca. A tradição de desenhistas como Schulz e Quino continua bem representada por aqui.

As reflexões sobre a maneira como as novas gerações, especialmente esta dos anos 10, se relacionam com a internet são frequentes na série e apontam para um caminho em que o vazio existencial não é preenchido, mas posto em estado de letargia: não interessa mais compreender e obter respostas para questões grandiosas, pois o que fazemos para evitar o terror de nossos espelhos é não pensar. Para Dahmer, a internet cria o ambiente perfeito para a falta de reflexão, substituindo o papel da televisão dos anos 90 e 2000 de uma maneira ainda mais eficaz. Essa ausência reflexiva gera a necessidade de compartilhar com o mundo nossas situações mais imediatas, por ínfimas que sejam, dando mais importância ao registro efêmero do que a situação em si: a vida real serve apenas para alimentar as redes sociais. Algo como preferir fotografar um passeio em um lugar deslumbrante para depois disponibilizar fotos que renderão comentários no Facebook em lugar de viver e ver a olho nu a beleza desse lugar.





A leitura que Dahmer nos apresenta desse mundo caótico é tão precisa e irônica que nos permite rir do que nos tornamos, por pior que seja o resultado. As futilidades da geração dos anos 10 também resultam em valores corrompidos pelo dinheiro e nas relações aviltantes entre homem e trabalho além de adormecer a indignação que, por exemplo, a maneira como indústria e mídia manipulam as pessoas deveria provocar:





O Facebook e o Youtube são fontes intermináveis de matéria bruta para a ourivesaria de Dahmer, que sabe onde encontrar o que mais peculiariza essa geração tão cheia de carências e incoerências quanto quaisquer outras, mas que pensa pouco sobre si mesma. A preocupação em seu trabalho não é a de explicar para onde iremos, posto que não se trata de um olhar profético para o mundo, mas de nos mostrar quem somos diante do espelho satírico em que sua obra vem se convertendo. Dahmer parece saber muito bem quem nós somos.



16.2.12

Peça: 69: Duas Odes À Rua do Rosário

ode ao avesso à rua do rosário

        "não ande
        por essa rua
        aterrada (...)
        se andar,
        começa uma poesia."
            - iara maria carvalho

na
rua do rosário
                      >> em uma currais novos
                      >> de mil novecentos e idos

aqueles homens
de terra
cavavam sua felicidade
instan
      tânea
                    >> única felicidade
                    >> possível

no caminho
avesso
da vida
                  >> para dentro
                  >> do útero carinhoso
daquelas moças
gentis.

.........................................   

segunda ode ao avesso à rua do rosário

- gostava de vê-las
nuas:
              a decadência de
              seus corpos
              malmente vivos
              me fazia melhor
              e
             mais viril

por isso
pagava-lhes o que
muitas
vezes
me faltava à
mesa.

não me fazia mal:
            se meu espírito
            alimentava-se
meu corpo
compreendia.

11.2.12

Ai, Se Eu Te Pego: o artesanato industrial e a música efêmera


O status de arte da música popular – ou pop – sempre foi posto em cheque, já que esse é um estilo que obedece a estruturas que variam dentro de um padrão pré-estabelecido, como duração, refrães, andamento e coisas do tipo. O historiador Eric Hobsbawn dá explicações muito mais completas e sensatas sobre as características da música pop em seu belíssimo livro A História Social do Jazz.

A discussão acerca do caráter artístico da música está aparentemente superada, já que essas produções voltadas para um mercado consumidor maciço podem ser desenvolvidas de forma pré-moldada, contudo seu grau de expressividade transcende suas limitações estruturais, assim como as técnicas de apropriação musical são utilizadas para criar novas linguagens, o que é um aspecto fundamental da arte.

Obviamente, o domínio técnico da música clássica transcende o simples fazer repetitivo como finalidade e demanda verdadeira exegese de seus intérpretes, sendo uma música geradora, em que o compositor amplia constantemente os limites de seu universo musical constantemente. O jazz, música de cunho absolutamente popular em suas origens, atingiu o status de arte conceitual à medida que seus improvisos e expressividade contribuíam para um intenso arejamento da linguagem musical.

No entanto, o domínio da técnica sem que se permita esse arejamento de linguagens está aquém da arte e mais para o artesanato. Esse domínio da técnica é essencial para sua sobrevivência. Porém, a indústria cultural de massa fez prevalecer suas necessidades de mercado em lugar do desenvolvimento da técnica, o que criou uma série de produtos culturais que se parecem com artesanato musical, mas cuja produção em escala industrial não permite que os vejamos assim. É daí que aparece o que podemos chamar de “artesanato industrial” da música.

Esse artesanato industrial – a expressão é tão paradoxal quanto o que ela representa – atende às necessidades mais imediatas de consumo de música, tanto da própria indústria quanto de seus ouvintes. A produção em série dá ao produto final ausência de identidade autoral, mas lhe confere um rótulo igualmente estratégico do ponto-de-vista mercadológico.  Essa falta de identidade permite que as produções sejam vazias de conteúdo e absolutamente frágeis quanto à forma: a música – ou a mercadoria, se preferir chamá-la assim – precisa ser fácil para que se possa ter familiaridade com ela desde o primeiro minuto, e para que essa facilidade seja alcançada, o ouvinte precisa recebê-la sem esforços para compreendê-la em sua totalidade.

Se esse produto é facilmente recebido, ele é igualmente descartado, já que a repetição intensa a que se submete cansa rapidamente seus ouvintes. Logo, há nestes uma necessidade constante de novos produtos que são, de certa forma, os mesmos. Se a obra de Beethoven sobrevive há séculos, dada sua complexidade e sensibilidade, a música de Michel Teló não durará além de uns poucos meses, pois é vazia de conteúdo/forma. Os que hoje a repetem mecanicamente, logo a esquecerão por estarem saturados do prazer imediato e insuficiente que ela deve provocar em seus ouvintes, naturalmente menos exigentes.

Vale salientar que os ouvintes da música pop são cada vez menos exigentes e demandam produtos culturais cada vez mais efêmeros. Prova disso é que essa música pop a que chamamos de artesanato industrial serve como pano de fundo para os mais diversos momentos de seus ouvintes, mas nunca como peça principal: ouve-se música para dançar, para varrer a casa, conversar com os amigos, beber com eles, dirigir ou até estudar, porém não se ouve música para ouvir, pois o caráter industrial desse artesanato é destituído de alma e corpo.

5.2.12

Exposições no Museu: Igor de Carvalho: Só Ele, Só.


http://soundcloud.com/igordecarvalho, www.facebook.com/igordecarvalho
  
          Não é de hoje que Pernambuco reúne parte significativa da melhor música popular produzida no Brasil. Nas últimas décadas, nomes como Chico Science, Nação Zumbi, Otto, Mestre Ambrósio, Eddie, Mombojó, China, entre tantos outros despontam por sua criatividade e reconhecimento de raízes profundas e misturadas de uma nação plural. A música feita em Pernambuco é local e universal simultaneamente, como deve ser sempre a arte. Nesse recorte, músicos, intérpretes e compositores surgem em profusão, Júnio Barreto e Tibério Azul não permitem que essa afirmação soe em falso.
         Cabe sempre a ressalva de que a música pernambucana é geográfica, mas não se trata de um movimento uniforme em que todo mundo tem a mesma cara, a mesma voz e repete fórmulas pré-moldadas de acordes e temáticas. Se a música de Pernambuco é movimento, então é movimento quântico, porque acontece junta, mas suas individualidades permitem que cada um seja singular no que faz.
         Caso é que há alguns poucos meses tive o prazer de encontrar a música de Igor de Carvalho, jovem pernambucano que justifica suas origens. A música de Igor tem a cara de Pernambuco, mas tem também a sua e de todo um mundo que esse cantor/compositor representa e contesta. Com a divulgação de seus trabalhos em redes sociais, Igor parece caminhar para um disco coeso em forma e conteúdo, já que sua musicalidade jovem e vigorosa vem acompanhada de reflexões às vezes bem humoradas, às vezes intimistas, mas sempre perpassadas por um atento olhar de cronista, por isso observadora do mundo em que se realiza.
        Suas leituras do universo-ao-redor rendem bons momentos de humor cáustico/refinado, como no samba “Saldo Negativo”, em que o músico canta as armadilhas financeiras do dia-a-dia de cada brasileiro, ao melhor estilo Noel Rosa. É dessa canção a estrofe “Eu negociei o meu Amor/ Em tarifas reduzidas, Financiei e de entrada/ Dei só um Cabral e um por favor/ O meu limite é pequeno e o Dólar tá em alta”. É ainda boêmio provocador: “Se o cobrador telefonar, peça pra ele respeitar a boemia,/ E mande ele retornar de meio dia/ Que é pro doutor não se cansar.”
        O humor também está presente nos versos de “Não Sei Você”, um samba com quê de música caribenha divertido e sarcástico: “Eu sou desinformado, sou complexado/ Sou bacharelado, em baixar CD/ Sou do avesso, ao contrário, dos versos quebrados/ Dos sambas notados, os que cantam você.”
        Além do olhar lúdico, a canção “Só Eu, Só” apresenta um compositor intimista e sintetiza o universo confuso de sentimentos que nos formam, a maneira como cada um de nós costuma seguir adiante. E é nessa aceitação das nossas próprias distorções e descaminhos que o jovem músico encontra o primeiro sinal de sua trilha: a consciência de que estar perdido não permite parar. “Eu cravo os dentes pra saber o gosto que a vida dá” é um verso suficiente para sustentar qualquer canção.



      Igor de Carvalho teve a gentileza de responder algumas perguntas-clichês que lhe fiz e que apresento  a seguir:

Theo G. Alves: Você é de Recife, cidade em que há uma efervescência musical da cena independente. No entanto, é possível perceber na música recifense variações interessantes nas produções. Como você se encontra em meio a essa cena musical? Como você a percebe e como ela influencia o seu trabalho? Se você vivesse fora de Recife, acredita que sua música seria diferente?

Igor de Carvalho: Pernambuco é, de fato, minha maior influência. Não só como artista mas como cidadão. A cena pernambucana é muito bonita e grande, devido ao nosso passado musical. Antigamente, o fato de tudo girar em torno do eixo Sul/Suldeste, fez com que o pernambucano desse valor ao que é da terra e criasse apenas com as influências regionais. Acabou saindo algo mais autêntico.  O manguebeat é a prova disso. Por respeito e admiração aos que criaram tudo isso, acho importante e necessário ter a pernambucalidade na voz, nas composições e nas idéias. Se eu vivesse fora disso, minha música seria completamente diferente.

TGA: Falando em influências, que tipo de música você costumava ouvir ainda menino e o que você ouve hoje? O reggae e o samba estão muito presentes no que você divulgou de sua obra até agora, então que relação esses estilos têm com a música que você faz?

IdC: Quando eu era bebê, minha mãe dizia que só conseguia pegar no sono ao som da música clássica. Talvez venha daí, minha paixão por música. Mas é engraçado falar sobre minhas influências. Não costumo dizer que tal tipo de música me influencia, e sim o conjunto da obra de um artista. E são tantos artistas e suas obras que eu admiro e acabo trazendo pra dentro do que faço, que nem eu consigo dizer qual o meu estilo musical, quando me perguntam.

TGA: A religião está presente em Samba de Todas as Crenças. Como as religiões influenciam sua música?

IdC: Sou religioso. E a fé me fascina tanto quanto a música. Alias, acho que elas têm uma ligação muito forte, ambas fazem você seguir em frente. Faço parte de uma religião de muita força, o Candomblé. E a reverencia que tenho pelos Orixás está sempre em minhas composições. Cantar para Eles é uma forma que encontrei de me despir das vaidades que a música nos traz e prestar homenagens mais que justas aos Deuses.

TGA: Qual é a sua relação com outras manifestações artísticas como a literatura, o cinema, artes visuais? Há algum reflexo disso no seu trabalho?

IdC: Pra mim, a arte é uma só. E aquele que ama a arte, ama ela por completa. É como costumo dizer, quem realmente ama a praia, não liga para o sol. Literatura, cinema, teatro, tintas e todas as manifestações estão interligadas. Impossível não ter influência uma com a outra. E não é diferente comigo.

TGA: Nas suas letras há uma série de leituras e imagens da vida cotidiana, como o caso da canção “Em Furto”. Como o cotidiano serve de matéria-prima para você, como esse processo se realiza?

IdC: A minha música é muito vivida. Geralmente são momentos meus, de amigos, histórias que ouço ou vejo. Sentimentos vividos. Do que seria a música sem isso? O cotidiano é o que faz a gente sentir, sonhar, pensar, acreditar. E tudo isso faz parte da música. Uma coisa acaba sendo ligada a outra. Mesmo quando a gente não quer.

TGA: Muitas pessoas conheceram seus trabalhos iniciais a partir da divulgação através das redes sociais. Qual a sua opinião a respeito dos downloads gratuitos, direitos autorais, legalidade e ilegalidade na internet?

IdC: Como digo em uma das minhas canções, "Não Sei Você", "sou bacharelado em baixar CD". Acredito que o que conheço de música hoje, eu tenho que agradecer à internet. Hoje, todo mundo usa, então acho que seja o primeiro passo pro artista que tá iniciando sua carreira. Mostrar a cara, mostrar seu trabalho. Procurar aparecer. Acho esse tipo de divulgação válida. Contanto que o dono dos direitos esteja de acordo. Isso é uma coisa muito pessoal... íntima, eu diria. Depende muito das pretensões de cada um. No meu caso, não vejo problema algum. A circulação da minha música pela internet deve-se ao fato da popularidade dela e isso me deixa muito feliz.

TGA: Já há projeto de reunir suas músicas em disco? E como andam os acertos e planos para isso?
IdC: Existe muitos projetos em mente. E sim, existe o projeto do primeiro CD cheio. Mas ainda estou procurando amadurecer mais para isso.
Quero fazer com que seja algo bem elaborado e de boa qualidade. A paciência é vizinha do sucesso, e eu prezo muito por elas.

TGA: Em Saldo Negativo e Não sei você, por exemplo, há uma série de ironias e brincadeiras com o estereótipo do músico que tem dificuldades de viver de seu trabalho. Essa é mesmo uma carreira difícil e como essas dificuldades se dão? Qual a sua opinião sobre financiamento com dinheiro público para gravação e lançamento de discos?

IdC: Hoje, no Brasil, tá difícil de viver seja qual for a sua profissão. Música é uma profissão difícil, mas linda. Quando nós estamos preparados pra ela, os medos e frustrações deixam de ser maiores que a vontade de viver de música. Me considero ainda em preparação, e infelizmente não só depende de mim. Gravar um CD, criar um trabalho é caro. É aí que entram os parceiros (geralmente, poder público) e seus prazos.

TGA: Como se dá seu processo de criação artística? E o que diria se precisasse apresentar a alguém sua música?

IdC: Tenho o costume de compor sempre. Tenho cerca de 80-100 músicas. Com a banda, trabalhamos em cima de mais ou menos 18. Geralmente mostro a música para a banda e fazemos nossas modificações em estúdio. Quanto a apresentar minha música, costumo dizer que é música popular brasileira. No sentido literal da palavra. Não é uma grande resposta. Mas prometo procurar algo melhor para uma próxima vez.