11.11.09

Peça: 60. A Máquina de Avessar os Dias de Minha Avó

minha avó
inventou uma máquina
de avessar os dias:

antes de sua morte
pôs-se a engendrar
memórias
xxxxxxx - gente com asas
xxxxxxx - estranhas histórias do tempo
xxxxxxx - cães de nomes improváveis
xxxxxxx xxxxxxx xxxxxxx xxxxxxx e lindos

eliminou
de seus dias as
pessoas reais -
xxxxxxx que pode
xxxxxxx haver de mais tedioso
xxxxxxx que gente
xxxxxxx concreta
xxxxxxx ou tijolos e barro e pedras?

minha avó
xxxxxxx com sua máquina de
xxxxxxx avessar os dias
acordava
a casa no meio da noite
ironizava
a invenção do vento
esquecia
os nomes inúteis das filhas
recriava
o absurdo nãolinear do tempo.

era uma máquina
de costurar avessos -
retalhos
coloridos do tempo:

guardei-a para mim
xxxxxxx - minha avó
xxxxxxx e sua máquina de aventuras -
para usá-la
quando for
meu tempo.

_______________________________________________
Em sinal de luto, as portas e cortinas deste museu estão cerradas, assim como eu. Um dia voltaremos.

19 comentários:

Angela disse...

Entendo perfeitamente a sua dor.
E sempre que volto a minha querida terra de origem, aumenta a minha dor.
É um pedaço da gente que se vai.
Estarei sempre aqui, meu querido amigo.
Abraços.

marcos pardim disse...

para além da beleza do poema ou de um possível avassalador motivo para este "avessar os dias" de sua avó, guardar determinados lutos é mesmo necessário. diria mais: há lutos que são inelutáveis. abraço.

douglas D. disse...

aguardo. em silêncio.

CASSILDO SOUZA disse...

Caro Théo, o que sua avó fazia com as palavras e coisas, nada mais era do que justificar o dom poético do Neto. Porque fora ela antes, com seus avessos, a responsável por, em sua máquina, dotá-lo de grande capacidade poética, intelectual e humana. O que está em você já havia com ela em lugar longíquo do passado e nunca mais acabará. Agora, ela está por aí, sorrindo na felicidade da bisneta, Nandinha, ao tempo em que cria expressões, numa outra dimensão do universo.
Um abraço.

Clara Bianca disse...

Theo,
Sinto muito, que neste teu luto vc encontre o melhor das lembranças e o consolo de ter guardado esta maquina na memoria. Queria poder abraçar-te pessoalmente. Sinta meu consolo e meu aperto de mao.
Tbm me enluto pelo teu sofrimento.
Shalom!

Moacy Cirne disse...

Que máquina fantástica.
Enquanto isso,
há um repeteco de poema seu
no Balaio.
E você, meu caro,
já se acostumou com
Santa Cruz?

Um abraço.

dade amorim disse...

Quanta doçura e beleza, Theo!
E que saudade de você e seus poemas!

Beijo beijo.

Mara faturi disse...

Este poema me deixou do avesso;)
LINDO!!!
Um dia, me empresta sua "máquina"? ( se minha viagem for antes)
abraço!

célia musilli disse...

Belíssimo poema de avessar o tempo...Um beijo.

Clara Bianca disse...

Tem dores que nunca passam, apenas ameniza um pouco a nossa vontade de senti-las tao fortemente. Espero que teu luto esteja suavizando e dando lugar as memorias boas pra compensar a dor da saudade.
Pessoas lindas como vc nao deveriam nunca sentir algo alem de poesia. Fica bem, que Deus te conforte.
Abraços

Clara

CeciLia disse...

Ah, Theo,

que coisa!

Lindo, lindo o poema. Triste, triste o mote da vida real.

Recebe meu abraco forte

CeciLia

CeciLia disse...

Ah, Theo,

que coisa!

Lindo, lindo o poema. Triste, triste o mote da vida real.

Recebe meu abraco forte

CeciLia

O Marquês de Pindorama disse...

Théo...

foi um dos textos mais tristes e belos que já li...

não é necessário mais comentário...
abraços.

marcos pardim disse...

salve, meu caro e bom theo. ainda que eu não possua lá muitas afinidades natalinas, bom natal, boas festas pra ti e pros teus e que 2010 seja mais do que uma simples mudança de folhinha pendurada na parede. 1 abraço.

Theo G. Alves disse...

agradeço a voces, meus bons amigos, por todo o carinho e doçura.

este é o abraço que gostaria de entregar a vocês pessoalmente.

Maria Muadiê disse...

Theo,
gosto muito do seu nome, era um dos escolhidos caso eu tivesse um filho homem.
Lindo esse poema, me emocionou.
um beijo,
Martha

Theo G. Alves disse...

martha,
que bom tê-la por aqui.

esse poema é muito significativo pra mim.

beijo!

Theo G. Alves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nina disse...

Volte,
suas obra faz falta e nos engrandece

abs
nina