21.9.09

Peça: 57. O Avesso dos Dias

de que matérias
se constrói um dia?

quanto de
aço vidro concreto madeira
é necessário para
erguer
as paredes sólidas
de um dia?
xxxxx- 24 horas
xxxxx que descabem nos dedos.

não sei.

quero antes
a matéria negra de seu
avesso
as iluminuras de seu
avesso
xxxxx - a palavra nenúfares
xxxxx - as chuvas insólitas de janeiro
xxxxx - a ausência dos carros na madrugada
xxxxx - os céus isentos de aviões e impostos
xxxxx - a lama
xxxxx - o cadáver já frio dos relógios

de que matérias
se constrói um dia -
um mísero número
no calendário silencioso?

não sei:
só dos dias o
avesso
me comove.

16 comentários:

Moacy Cirne disse...

Ótimo, meu caro:
comove-me,
de igual modo,
o avesso do poema.

Um abraço.

O Marquês de Pindorama disse...

Quem sabe com sabor de fruta mordida?

queira muito até a tristeza, se verdadeira, e as alegrias, ainda que as da imaginação...

Theo G. Alves disse...

moacy,
compartilhamos então do mesmo avesso e da beleza que o compõe.

grande abraço!

Theo G. Alves disse...

marquês,
do dia pode-se ter tudo. ou nada. é só escolher.

abraço!

Moacy Cirne disse...

Meu caro:
Publiquei seu "avesso" no Balaio; só não foi possível manter a mesma formatação original do poema.

Um abraço.

Theo G. Alves disse...

moacy,
é sempre uma honra poder figurar no balaio mais porreta desse mundo.
muito obrigado!

Marcelo Novaes disse...

Theo,



Gostei do mergulho em matéria densa, reequalizando o título de um romance.






Muito bom.







Abração,







Marcelo.

Theo G. Alves disse...

marcelo,
fico feliz com seu mergulho, feliz também por nao ter oferecido apenas água rasa.
muito obrigado!

volte sempre, o museu está sempre aberto.

abraço!!

CeciLia disse...

Theo,
gostei da força, do ritmo, do tema. Ah, esses avessos que nos consomem mais do que o tempo - concreto tempo - quando passa sob os nossos dedos! Esse é um dos teus que eu queria ter escrito.
Abraço
CeciLia

Theo G. Alves disse...

cecília,
você sempre tão generosa... verdade que somos feitos de avessos, não?
um grande abraço!
:)

Mulher na Janela disse...

os silêncios desse avesso me revelam um dia entusiasmado de tristuras, mas muitas possibilidades.

sua poesia é capaz de salvar alguém, sabia? me salvou um pouco hoje.

beijão pro povo todo!

p.s.: dá uma olhada no teu email!

Theo G. Alves disse...

iara,
se salvei um pouco teu dia, nem precisa agradecer, porque isso é retribuição pra uma das inumeras vezes em que você salvou o meu.

beijo enorme!

p.s.: to na luta contra a internet pra ver se consigo abrir o e-mail

Marco disse...

Grande Theo,
seu poema é excelente. E eu aprecio especialmente quando um texto é fechado com chave de ouro. Você fechou o seu com chave de diamante. Parabéns. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Theo G. Alves disse...

marco,
muito obrigado pela generosidade que você sempre me oferece neste museu.

um grande abraço!

Mara faturi disse...

"só dos dias o
avesso
me comove"
BELÍSSIMO..ME COMOVE, MUITO;)
Bjos !

Theo G. Alves disse...

mara,
muito obrigado. sua gentileza é que me comove.

beijo.

:)