5.9.09

Entrevista

Esta é uma entrevista que respondi para o site do Franklin Jorge (que tem link aqui ao lado). Ela nunca foi publicada lá, mas para não alimentar uma ausência ainda maior aqui no museu, resolvi mostrá-la.



NOME Theo G. Alves
DADOS BIOGRÁFICOS escritor, professor, revisor, redator e inventor de coisas inúteis

QUESTIONÁRIO

Quando nasceu?
Em um dia de dezembro, 14 para ser mais preciso, em 1980

Onde?
Nasci em Natal


Como se chamam seus pais?
Só tenho mãe. Mães, aliás: Socorro, Guilhermina, Eurides e Elza

De onde são?
Gente de Currais Novos, da Mina Brejuí e Sítio Jurupaiti

O que você herdou do seu pai?
Inicialmente certo rancor, depois disso uma vontade tranqüila de não o encontrar, de não ser encontrado

E de sua mãe?
Muito. Especialmente de minha avó, de quem tenho o humor e a ironia. Muitos valores morais que tento honrar, nem sempre com sucesso, também me foram entregues por elas.

Dê-me fatos para esclarecimento de heranças.
O esquecimento é minha melhor qualidade. Passei anos sem falar com um amigo de escola e um dia ele me pediu desculpas pelo que me tinha feito e eu pude perdoá-lo verdadeiramente, pois já não me lembrava do que ele fizera, ou mesmo se me tinha feito alguma coisa.

Quem é você?
Eu sou ninguém na maior parte do tempo. Mas às vezes também sou outras coisas. Coisas de fato. Uma vez acreditei ser Dom Quixote, mas nunca Don Alonso Quijano.

Mais fatos.
Me agrada faltar a solenidades, me agrada quando alguém finge lembrar quem sou, quando esquecem meu nome. E tenho certo prazer em não constranger as pessoas publicamente quanto a isso.

E sua infância?
Minha lembrança mais viva de infância é minha avó me levando para brincar na areia do Rio Seridó. Também me lembro de como ela me ensinou a dizer a palavra “tigre”

Como brincava?
Só. Gostava de ter os amigos por perto apenas por pouco tempo, depois levava os carrinhos para longe, alegava que meus personagens iam viajar. Às vezes eu voltava, noutras eu me esquecia.

Quando deixou sua terra?
Nunca tive um lugar para um dia poder deixá-lo

Que coisas tem feito?
Umas coisas inúteis: literatura, por exemplo. Trabalho feito um escravo, ganho como um escravo. Tenho sido feliz. Vejo filmes. Ouço menos música do que gostaria. Quase não tenho lido, o que muito me maltrata. Mas tenho, sobretudo, tentado ser uma pessoa melhor por mim, minha esposa e minha filha.

16 comentários:

Moacy Cirne disse...

Uma ótima entrevista, meu caro.

Um abraço.

Claudinha ੴ disse...

Olá Theo!
Que bom saber mais de você. Faltou você citar O Centenário (uma de minhas primeiras paixões aqui na blogosfera). Conheci este seu blog quando caminhava de novo retomando minha vida, minha independência como mãe, esposa , profissional e dona de minhas coisas, provando que poderia "pilotar" meu cérebro novamente. Aquele template árido, aquele mecanismo de escrita me encantaram e meu blog me ajudou na cura. Talvez você não soubesse da importância que seu blog e o do Garoto da Montanha tiveram em meu processo de cura. Algum tempo depois você me trouxe outros amigos que são puro ouro até hoje em minha vida! Deus abençoe você, sua família. Que você possa ler mais, ouvir mais a boa música e ensinar sua filha a falar Tigre com o mesmo carinho que sua avó lhe ensinou!
Beijo!

Theo G. Alves disse...

moacy,
obrigado e um grande abraço!

Theo G. Alves disse...

claudinha,
o centenário também foi importante pra mim. era uma fase dificil da vida - muitas delas sao - e o centenário me ajudava a não pensar, ou pensar em outras coisas, menos reais, por isso muito vivas. fico muito contente quando te vejo dizer o quanto aquele blogue te fez bem. e melhor ainda saber que bons amigos apareceram por lá. pra mim também. tanta gente boa que continuo adorando e lendo. em verdade, o maior tesouro deste museu - como daquele centenário - são os amigos que passam por aqui. não é à toa que estão listados aqui ao lado sob o título de "os melhores museus do mundo".
um grande abraço!

célia musilli disse...

Linda lembrança vc tem de sua avó que te ensinou a falar "TIGRE"...e não imaginava que vc tivesse só 29 anos..rs Bela entrevista! Beijo!

Theo G. Alves disse...

célia,
minha avó é o berço de minhas lembranças. boa parte do que aprendi veio dela. sou um homem de muita sorte. minha avó hoje tem sérios problemas de memória, já aos 91 anos, mas espero um dia poder ter sua lucidez, assim como seu "bom humor rabugento" em qualquer época da vida.
quanto aos 29 anos, posso dizer, como costumo brincar com meus alunos, que já fui mais jovem um dia :)
beijo bem grande!

Willian Pinheiro Galvão disse...

Theo, agradeço suas palavras postadas lá no Balaio do Moacy. Sobre a entrevista... compactuo com a idéia de não-necessariamente "ser alguém" ou "estar/ser em/de algum lugar".

Theo G. Alves disse...

willian, meu caro,
tem o que agradecer não. o que disse lá é o que repito em qualquer lugar em que a conversa apareça. reitero as congratulações e fico feliz de sua passagem pelo museu.
até breve!

Wescley J. Gama disse...

esse é theo. assino em_baixo;

Theo G. Alves disse...

wescley,
a assinatura dos velhos amigos corrobora o que somos.
abraço!

luma carvalho disse...

théo, lendo essa tua entrevista pude perceber claramente o quanto é mágico a resposta que damos a tudo na vida... perguntas simples que poderiam ser respondidas de maneiras diversas - mas, respondidas por você, só poderiam sair assim: carregadas do que você é e emana, agora mais do sempre: poesia, doçura, encanto...

acho que nunca te disse e não quero ter a infelicidade de "sair fora do combinado" sem dizer a você o quanto te quero bem e te admiro! você tem uma presença iluminada...

beijos no coração e na alma
com sabor de "quero conhecer tua filhinha: só não sei se ela será mais linda se parecer contigo ou com larissa..."

luciana
luma
lua

Theo G. Alves disse...

luma,
verdade é que a mágica está na vida, nas coisas, e no olhar que dedicamos a ela. você sabe bem. você a conhece bem.
e você também sabe, menina, do carinho que sinto por você e de como sempre admirei e continuo a admirar o que você faz e o que você pensa. por isso também é q torço tanto pra que esa fase nova da sua vida seja ainda mais fantástica do que tem se mostrado.

e venha conhecer a menina fernanda, que é a cara do pai com a beleza da mãe. :)
vai ser ótimo poder compartilhar nossa felicidade com você, que nos é tão querida.

um beijo muito muito muito grande!

Marco disse...

Grande Theo,
ótima entrevista. Voc~e me pareceu um personagem de Graciliano Ramos. Se não o próprio.
Carpe Diem.

Theo G. Alves disse...

marco,
quanto mais real a gente é, parece q mais próximos da ficçao ficamos. :)
um abração!!

He Lu disse...

Tem momentos que o senhor é ninguém, pq ninguém é perfeito.
Abraços Melhor

Theo G. Alves disse...

he lu,

generosidade aos montes de sua parte.

:D