24.7.09

EXPOSIÇÕES NO MUSEU: Antony & The Johnsons: The Crying Light


Em meio a tantas sensaborias, ouvir a música autoral e dramática de Antony & The Johnsons é algo de que não nos devemos privar. Há quem ache sua carga dramática excessiva, há quem ache que sua música é sublime. Particularmente, sinto a música de A&J como um retrato dos que não conseguem se perceber num mundo confuso e caótico que, paradoxalmente, requer regras de conduta e receitas de fácil execução para tudo.


Em seu novo disco, The Crying Light, A&J há esperança, medo e beleza a cada acorde. Não é possível tirar os ouvidos e atenções mais demoradas da voz de Antony, sentir nela a presença de Nina Simone e Jeff Buckley, perceber como seu dono soube trabalhá-las até que se tornassem algo novo em sua garganta. A poesia de Antony, que remete a Poe, Rimbaud e Baudelaire, é também peculiar, especialmente no que chamam hoje de nomes confusos e de pouca significância, como “pop”, “indie” ou “alternativo”.


A morte, os mortos, a infância, a esperança, o desespero a sensação de estar-se perdido, tudo compõe a poesia de Antony. O ar soturno e dramático de discos como I Am a Bird, anterior a The Crying Light, permanece, desta vez trabalhado com mais sutileza e mais “luz”: uma vela num profundo posso de horrores.


Tenho a sensação de que a música de A&J encontra-se no nível em que a melancolia e tristeza presentes foram sublimadas, transformando-as em beleza e a arte: uma tristeza que não adoece, que comove e alegra por ter se tornado mais que apenas dor.

As canções:

THE CRYING LIGHT

1. Her Eyes Are Underneath The Ground

2.Epilepsy is Dancing

3. One Dove

4. Kiss My Name

5. The Crying Light

6. Another World

7.Daylight and the Sun

8. Aeon

9. Dust and Water

10. Everglade



Kiss my name


Kiss my name
Mama in the afterglow
When the grass is green with grow
And my tears have turned to snow


I’m only a child
Born upon a grave
Dancing through the stations
Calling out my name


Oh mama kiss my name
I am trying to be sane
I’m trying to kiss my friends
And when broken, make amends


Kiss my name, the curtains white
The turtle doves embroider light
As I lie, murdered in ground
The rain compacting sodden sound
Of songs I sang the years before
When it was time to rain
Upon the coal that I became

6 comentários:

marcos pardim disse...

theo, meu camarada, me desculpe por pular a vez de comentar sobre este post. ignorante, desconheço a&j. mas, passeando pelo museu, soube que, na ludopédica pelada da vida, joga agora no time dos pais... e também passou a sofrer do banzo característco daqueles que se bandeiam de sua terra sem jamais conseguir deixá-la de ti. 1 abraço.

Theo G. Alves disse...

pardim, meu caro,
a paternidade e o banzo são agora duas coisas verdadeiras.
estou ainda me acertando com tantas mudanças em tão pouco tempo, tanta coisa do mundo real e prático ainda a ser resolvida.
e assim vamos.
um grande abraço!!

Maria Maria disse...

Theo,

O seu blog foi indicado para receber o selo Blog de Ouro. Passe lá no espartilhodeeme.blogspot.com e retire-o. Poste-o no seu blog, seguindo as regrinhas da premiação.
Parabéns,

Miss Eme

CASSILDO SOUZA disse...

Fala, amigo Théo. Muito tempo sem vê-lo, cara. Qualquer dia estarei por aí, fazendo-lhe uma visita e conhecendo sua maior criação: NANDINHA. Um grande abraço, irmão.
Cassildo Souza.

Theo G. Alves disse...

Miss Eme,
muito obrigado pela honraria. vou já lá buscar meu selo.
grato!!
beijo grande!

Theo G. Alves disse...

cassildo, meu caro,
já fico na espera por aqui. ando sofrendo de banzo. saudades dos amigos também. venha mesmo. traga a querida ivanise contigo.
abraço bem grande!

p.s.: nandinha está mais linda todo dia.