30.3.09

Peça: 49. O Retrato de Um Cão Furioso

O cão furioso finalmente pesa-lhe sob as patas, atira-o ao chão. A mandíbula voraz enche-lhe o focinho irascível e faz jorrar sangue sobre si, sobre sua vítima. As patas pesam como o corpo de um elefante em mármore, esmagam-lhe a ossatura frágil, sua musculatura cede como de espuma. A boca infernal morde-lhe, arranca-lhe os membros, chafurda entre seus intestinos. O cão furioso devora-lhe centímetro após centímetro, ao avesso, de dentro para fora.

16 comentários:

Moacy Cirne disse...

Um cão furioso é um cão furioso é um cão furioso. Igualmente no Balaio. De hoje.
Um abraço.

Theo G. Alves disse...

moacy,
acabo de chegar de um longo dia de trabalho em caicó (não a cidade que reconheço em você, mas uma que ainda não consigo compreender misticamente) e que ótima surpresa saber-me no Balaio.
agradeço de verdade!

um grande abraço!

célia musilli disse...

E todos não temos um cão por dentro ou por fora que às vezes nos devora?? Um beijo!!

Theo G. Alves disse...

célia,
o meu andava a me devorar estes dias.
beijo bem grande!

Claudinha ੴ disse...

Theo, sinto dois textos ao ler. A metáfora tenta me alcançar e meu comentário poderia ser sobre o tempo voraz. Mas a memória me leva aos oito anos, quando fui vítima de dois cães furiosos. Não contei este apuro nos "Apuros de Claudinha", talvez por ainda não ter digerido...
Você descreveu perfeitamente a cena, realmente é um retrato. Fui conhecer o novo espaço e adorei. Já sou seguidora!
Beijo!

Theo G. Alves disse...

claudinha,
o medo me parece quase sempre próximo à fúria. esse cão, por exemplo, é o que em mim dorme, mas que tem acordadoc om alguma frequencia. assustador.

obrigado pelo carinho e pela atenção de sempre, claudinha.

um enorme beijo!!

Thiago Leite disse...

O interessante é que o cão parece devorar a si mesmo. A imagem é ao mesmo tempo centrípeta, pois há uma certa autofagia, e centrífuga, pois há um dilaceramento.

Theo G. Alves disse...

thiago,
a intenção é perfeitamente essa. a aplicação dos pronomes tenta criar esse jogo de reflexos. e por sua percepção, parece que funcionou.
esse cão que devora o faz do avesso, de dentro para fora. é a si mesmo que ele devora e por isso estende para devorar o que há fora dele mesmo.

um abraço!

Bosco Sobreira disse...

Um belo e bem construído texto.
Sua escrita esta cada dia mais afiado, meu caro Theo.
Abraços

Theo G. Alves disse...

sobreira,
meu caro, agradeço demais por suas sempre generosíssimas palavras.
um abraço!

marcos pardim disse...

se instigado a confessar, entre os tantos cães furiosos que existem, diria que este aqui apresentado é, disparado, o que mais me causa arrepios. abraço, meu velho.

Theo G. Alves disse...

pardim, meu caro,
digo o mesmo: este muito me amedronta, sobretudo porque o conheço muito de perto.

grande abraço!

Mulher na Janela disse...

esse cão me persegue, me persegue.
de dentro pra fora, de fora pra dentro.

adoro esse texto.

beijão e inté minhã!

Claudinha ੴ disse...

Venho procurando atualização e deixo o meu desejo de uma Boa Páscoa para você e sua família!
Beijo!

Theo G. Alves disse...

iara,
nos persegue então.

muito obrigado. beijo bem grande e até já já.

Theo G. Alves disse...

claudinha,
esses dias foram corridos, mas a atualização fica para o começo da semana que vem, logo depois do feriado. quem sabe, antes até.

feliz páscoa para você e para os seus.

beijo grande