23.3.09

Peça: 48. O Poema (ou A Criação do Poema)

construto
em pedra bruta
a mão crua
tece
lima
brita
o verso

dá-lhe
cores novas
uma tessitura
cremosa
e inútil:

como uma
alma em ferrugem
ou
o ventre de um besouro.

16 comentários:

douglas D. disse...

exposto em
voo
o ventre
besouro
poema faz-se.

Theo G. Alves disse...

Douglas,
que assim seja, assim há de ser.

Mulher na Janela disse...

tô te sorvendo com vontade, menino!
a manual tem me deixado tão serena e assustada.
lindo demais!

beijos...

Theo G. Alves disse...

Iara,
me deixa feliz demais saber que o manual tem te provocado assim.
Obrigado!
Beijo bem grandão!

CeciLia disse...

Theo,

que mão crua bendiria com tal graça a barriga do besouro, a pedra brita do verso, no meio do museu, no dentro da praça?

Abraços, poeta.

Theo G. Alves disse...

cecilia,
suas mãos bem sabem como limar o texto, como aperfeiçoa-los. isso digo porque já vi.

Um grande abraço!

Milton Ribeiro disse...

Vai lá:

http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/03/26/pequeno-manual-pratico-de-coisas-inuteis-de-theo-g-alves/

Grande abraço.

Theo G. Alves disse...

milton,

agradeço muito, me sinto honrado!!

um grande abraço!

CASSILDO SOUZA disse...

Os metapoetas são, para mim, excepcionais. Conceber ou tentar definir a poesia com ela mesma parece não ser uma característica para os escritores comuns. São os grandes conseguem. Um deles é Théo.
Um grande abraço.

Bosco Sobreira disse...

A tua poesia é de uma beleza que emociona, meu caro Theo.
Dizer mais o quê? Parabenizá-lo pelo talento é pouco.
Um abraço.

Theo G. Alves disse...

Cassildo, meu velho, eu sou dos que ainda engatinham... fico torcendo para aprender, enquanto isso, eu tento. e tento de novo. e outra vez.

um grande abraço e obrigado pela generosidade de sempre.

Theo G. Alves disse...

Sobreira,
eu fico comovido e muito feliz com suas palavras. admiro muito seu verso e isso me faz ainda mais contente por ouvir tantas coisas boas de você.

verdadeiramente, obrigado!

Mut disse...

Mestre do céu , vá se ferrar. Que coisa linda do cacete. Manoel de Barros deve estar orgulhoso.

Abração!

Theo G. Alves disse...

mut, meu velho!
que bom vê-lo de novo por aqui!

um abração, meu velho! e vamos ver se não sumimos tanto!

Mara faturi disse...

" alma em ferrugem
ou
o ventre de um besouro" ( belíssimo)...tb gosto de "quetionar" a utilidade do poema;))
*ah, nós sabemos de sua função sim, mas é coisa de poeta mesmo, rs,rs...
bjo

Theo G. Alves disse...

mara,
fico grato, me sinto honrado.
e é bem verdade que conhecemos o charme da inutilidade da poesia. e mais que isso: o poder transformador disso que chamam inútil.

beijo!!