3.3.09

Peça: 46. Outra Página de Um Caderno de Viagens

O tempo não há de durar. Mal sobrevivo aos dias e, por certo, não estenderei esta luta inglória. As ruas são cada vez mais escuras e mesmo o dia, sob este calor infernal, não é capaz de mostrar uma luz entre nuvens, ainda que haja sol.

Meus olhos estão confusos e não saberei dizer agora se é o corpo desta cidade ou a anatomia cansada de mim que desmorona esquina por esquina.

Somos feitos de becos, ela e eu.

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a foto, obviamente, é do Sebastião Salgado

22 comentários:

Moacy Cirne disse...

Ótimo, ótimo: um texto primoroso. Ou quase. Mudando de assunto: 1. Você está no Balaio; 2. Continua confirmado o lançamento de seu livro para o próximo sábado? Local? Hora? Não prometo, mas estou tentando ir ao Seridó no próximo final de semana.

Um abraço.

Theo G. Alves disse...

Moacy, meu bom amigo, generoso como sempre: triplamente desta vez: 1) pelas palavras gentis acerca desta página; 2) pelo esforço em melhorar a noite do pequeno manual; 3) por me dar a honra de figurar nova vez no Balaio.

E tudo confirmado sim: às 19h deste sábado na Villa, ao lado do Tungstênio Hotel

abraço bem grande!

Arthur Dantas disse...

que coisa linda! é exatamente quando vejo textos assim que percebo o quanto amo a literatura, a poesia, os pensamentos, tudo!

Glória disse...

Palavras fortes, feitas de pedra. Belissímo, meu caro!
Obg pelo convite, farei o possível p/ comparecer!
Abraço.

Theo G. Alves disse...

arthur,
a literatura é uma dádiva. a minha é uma tentativa. mas fico muito grato por sua generosidade.

abraço!

Theo G. Alves disse...

Glorinha,
o que nao é feito de pedras neste mundo? :)

apareça de verdade.

beijo!

Bosco Sobreira disse...

Concordo com o mestre, um texto primoroso. Parabéns pelo talento!
Um abraço.

Anônimo disse...

Tenho feito visitas silenciosas,
encantada com o que leio.
O que dizer, que palavras usar, diante das tuas letras.
Saudade, grande abraço,
Anne

Theo G. Alves disse...

Sobreira,
agradeço por sua gentileza. honesta e sinceramente agradeço!
um grande abraço!

Theo G. Alves disse...

Anne,
as palavras que você usou já são por demais generosas. e eu agradeço por teu encantamento.
não suma.
Um enorme abraço!

Thiago Leite disse...

A propósito, a cidade como uma entidade é um tema recorrente na História. Há uma história de Neil Gaiman, da série Sandman, que mostra o sonho de uma cidade, e como um homem se perdeu nele ao sonhar. Algumas cidades são louvadas como se fossem pessoas amadas; Sinatra e New York...

Nós nos vemos na fisiologia da cidade e vemos a organização urbana em nossos corpos.

Marco disse...

Eita, Theo... Que você arrematou seu post da forma mais linda que podia. Eu dou muita importância ao arremate de um texto. Parabéns. Muito bom. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Mulher na Janela disse...

Théo, o que eu vejo nesse beco sou eu mesma. O beco de Bandeira é meu, o de Théo é meu, o da Lama é meu.
Grande existência é isso: emprestar-se aos outros suas mais sentidas vivências. Grande existência a suas palavras, tão belas.

Um beijo grande!

p.s.: tem sebastião salgado lá na minha janela também! passa lá!
ah... beijo nas meninas...

Mut disse...

E se o calor já destrói as pessoas nessa selva de concreto chamada São Paulo , imagino na sua Currais Novos. Cada passo é um novo desafio.

(Sobre a influência de uma gripe).

Notícia aleatória: comprei essa semana o vinil do Rust Never Sleeps em ótimo estado num sebo perto da escola. Por meros cinco reais. :p

Abração, mestre!

Theo G. Alves disse...

thiago,
sou dos que acreditam que haja simbiose entre o homem e sua cidade.
às vezes tenho a impressão de que esta cidade me acompanha fielmente, mesmo quando contra minha vontade.

abraço!

Theo G. Alves disse...

Marco,
muito obrigado. a última frase é uma confissão muito sincera.

grande abraço!

Theo G. Alves disse...

Iarinha,
sempre visito tua janela: a beleza que se encontra lá há em poucos lugares neste mundo.
Agradeço cada uma de suas palavras.

Beijo pra vocês 3!

Theo G. Alves disse...

mut, meu velho,
este mundo é doido demais: pois em currais novos tem chovido, cara. chovido como poucas vezes se viu. ainda quente na maior parte do tempo, mas com chuva...

e agora fiquei que sou inveja todo: 5 contos no vinil do RNS?? se achar mais um desses, descola e me manda, cara.

abração!

Claudinha ੴ disse...

Olá Theo!

O que somos senão feitos de ruas, becos, janelas e esquinas? A cartografia da vida se desenha com o tempo e tatua em nossa pele estas estradas. Lindo, gostei muito! Como nos tempos do O Centenário (uma de minhas primeiras paixões aqui na blogosfera)
Beijo!

Theo G. Alves disse...

claudinha,
me sinto grato e honrado com sua delicadeza e generosidade.
verdade que nossa anatomia é cartográfica, como serras de minas, como barros de seridó.

beijo!!!

Diego Viana disse...

O tema da relação nem sempre tão fácil entre nossa sensibilidade e nossas cidades é um que me encanta profundamente. Me faz muito bem à alma vê-lo tratado de maneira tão condensada e clara. Merci.

Theo G. Alves disse...

diego,
as cidades - a partir dA Cidade que reconheço como casa - movem meu gosto pela observação, me fazem mais humanos.

fico grato por sua generosidade.
abraço!