26.12.07

Peça: 41. Uma História de Natal

O menino estava morto. As mãozinhas suaves crispadas, os dedos macios duros como madeira. Não restava dúvida de que o menino estava morto. A cidade o ignorava e não havia estrelas sobre o céu feito todo de chumbo acinzentado na noite alta. Sem reis, sem presentes. Os gatos e cães de rua, enternecidos, o encontravam e o saudavam em silêncio e sem demoras. Não houve anunciação. E mesmo Herodes não havia. Havia apenas o menino morto, sem pai ou mãe, sem concepções divinas. Havia apenas o menino morto num beco asqueroso e, ao longe, os sinos de natal.

8 comentários:

ada disse...

Um menino entre tantos...

Abraço.

Moacy Cirne disse...

Um miniconto exemplar para o período natalino. Poderia mesmo editá-lo no Balaio, dentro de um ano, na época apropriada. Mas não sei de devo esperar tanto tempo assim... Abraços...

Marco disse...

Maravilha, grande Théo. Belo, belíssimo conto. Aliás, nunca saio daqui sem reconhecer que suas histórias são esplêndidas. Vim te desejar um 2008 repleto de bênçãos, pensamentos e momentos felizes. Tudo de bom que houver nesta vida. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

adelaide amorim disse...

Belo conto de natal, Theo! A ironia sempre se aguça nesses tempos, e a ironia é o tempero do mundo...
Beijo e muitas realizações no ano que vai começar.

Anônimo disse...

Pois é, a realidade é dura!

Bjo,
Rebecca

Fernando disse...

Beleza de conto, Théo!
Tempão sem aparecer nas fronteiras de Currais, e o encontro, como sempre afiado e certo.
Desejo que nos vejamos mais vezes, esse ano, que 2008 seja pródigo de boas realizações, com muita Paz e Saude.
abração
fernando cals

Anônimo disse...

A Adelaide tem razão, Sr. Irônico. É bonito, mas a ironia vence...

Milton Ribeiro

J.R. Lima disse...

belo texto, ao mesmo tempo irônico e sensível.
talvez seja mesmo assim, a ironia, uma forma de sensibilidade meio calejada.
um abraço.